Os 14 minutos que valeram o ingresso

20 02 2009
Em 14 minutos, Kléber estreia, marca dois gols e, ainda, é advertido com dois amarelos.

Em 14 minutos, Kléber estreia, marca dois gols e, ainda, é advertido com dois amarelos.

Bruno Martins – brunohmartins@gmail.com

Sem Ramires e com Tiago Ribeiro no ataque, foi assim a estreia do Cruzeiro na Copa Libertadores 2009. O jogo foi contra um adversário argentino, de tradição na Libertadores: o Estudiantes, que soma três títulos nesta competição. A equipe argentina ainda conta com Véron, um dos melhores jogadores da Argentina, pós-Maradona.

 Apesar de estar fora forma – volta de contusão-, o experiente e catimbado jogador mostrou que tem talento de sobra, e comandou o meio-de-campo durante boa parte da partida. Foi o principal nome do primeiro tempo, lançou, finalizou, mostrou, acima de tudo, inteligência, exatamente o que faltou ao Cruzeiro.

Wagner, mais vez, esteve apagado; Tiago Ribeiro corre, corre e corre…Depois abaixa a cabeça e vai para lateral. No máximo, consegue um escateio, mais nada. Finaliza mal, cruza pior ainda. É um atleta pouco objetivo, improdutivo. Sinceramente, não entendo por que ainda é titular e tem moral com o torcedor.

Sem o principal nome do time, Ramires, Adílson Batista optou em escalar três volantes lentos: Fabrício, Henrique e Paraná. Assim, a ligação defesa-ataque não funcionava. O Estudiantes tinha tempo para se armar defensivamente. Resultado: a Raposa não criou nenhuma chance de clara de gol na etapa inicial, diferetemente dos jogos anteriores.

A partir daí, a  partida começou a ficar tensa, e os visitantes é quem criavam as melhores jogadas. Tanto, que os defensores celestes só conseguiam parar o ímpeto argentino na falta: Leonardo Silva, Henrique, Thiago Heleno e Wagner tomaram cartões amarelos nos primeiros 15 minutos. A equipe celeste ainda pecava nos passes, principalmente Jonathan, Paraná, Henrique e Fabrício, que não acertavam passes de meio metro. Fernandinho exagerava nos lançamentos, errava todos. W. Paulista lutava muito, marcava, aparecia constantemente, mas estava muito bem marcado.

Com todos esses problemas, a esperança era o segundo tempo e as substituições. Na volta do intervalo, nada de novo. Mesmo assim, o time deu uma melhorada e criou os primeiros lances de perigo. Jonathan recebeu livre na área, tentou cruzar e ganhou um escanteio. Poderia ter finalizado. O mesmo aconteceu com Tiago Ribeiro. O atacante recebeu livre no lado esquerdo da área e resolveu tocar pra trás, pior, para o zagueiro adversário. Nesse lance, acredito eu, Adílson perdeu a paiência com o ex-são-paulino. Chamou Kléber, que faria sua estreia.

O ex-atacante do Palmeiras entrou aos 14 minutos e botou fogo na partida. Menos de dois minutos em campo, já tinha tocado cinco vezes na bola e mudado a movimentação ofensiva, deixando a zaga argentina em polvorosa. Tanto, que esqueceram de marcar Welligton Paulista, que recebeu um belo passe de Fernandinho, chegou de frente para o goleiro Andújar. Desábato foi obrigado a cometer pênalti. A torcida pediu para Kléber cobrar. W. Paulista colocou a bola debaixo dos braços, mas Adílson ordenou: “quem bate é o Fernandinho”. O lateral-esquerdo cobrou com força no canto direito do goleiro do Estudiantes e abriu o placar aos17.

Depois do gol, o Estudiantes foi pra cima da Raposa. Fábio saiu em falso e quase o atacante Salgueiro empatou. Fabrício salvou. Aos 24, Kléber tabelou bonito com W.Paulista e marcou um golaço. Sem ângulo, ele mandou a bola no contra-pé do goleiro argentino. Aos 27, Paraná roubou uma bola no meio-de-campo, tabelou com W. Paulista. Depois, Paraná tocou para Kléber, que estava livre no meio. O atacante não titubeou e mandou no canto do goleiro. 3 a 0, placar final.

Na comemoração, Kléber levou um cartão amarelo, por levantar a camisa. Em seguida, ele deu um ponta-pé em Verón e levou o segundo amarelo e, automaticamente, o vermelho. Expulso. Um final não muito feliz para ele. Mas, os 14 minutos, em que esteve em campo, foi o suficiente para o Cruzeiro estrear bem na competição, manter os 100% de aproveitamento na temporada e empolgar o torcedor. Valeu, Kléber! 

É bom dizer, também, sobre como é absurda essa lei da Fifa de coibir o jogador que comemora. É difícil de compreender o porquê dessa advertência. O zagueiro Desábato, do Estudiantes, deu um carrinho na área no lance do pênalti, impediu uma chance nítida de gol, e nem amarelo levou. Coisas do futebol que merececiam ser discutidas…Apesar de todo o histórico do jogador, Kléber, dessa vez, foi injutiçado. 

Mas voltando à Libertadores, com a volta de Ramires e a efetivação de Kléber no ataque titular, o Cruzeiro tem tudo para erguer, pela terceira vez, a taça mais cobiçada das Américas. Em relação ao time do ano passado, a zaga melhorou com a entrada do Leonardo Silva, que é muito alto; Jonathan cresceu de produção; Fabrício, que é um líder dentro de campo, deve ter um sequência maior de jogos e W.Paulista é menos sonolento que Guilherme. Falando nisso, é hora de Wagner acordar, ao contrário, Bernardo roubará a sua posição. Avante, Raposa!   

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